Mês de
agosto mais parece um período de entressafra de estreias de filmes. Só nos
resta aguardar com ansiedade o que vem por aí e aproveitar para colocar em dia
as muitas temporadas de seriados, porque tem muita coisa boa para assistir seja
na TV a cabo, DVDs ou streaming.
É lógico
que tem centenas de filmes estreando, mas minhas expectativas por enquanto
giram em torno de poucas produções. Já estou até com saudades de ficar
esperando dezembro para a grande estreia de final de ano, como alguma parte da
saga Senhor dos Anéis, Hobbit etc …
Mas tem sim
um filme que estou aguardando com grande expectativa: 007 Contra Spectre. Desta
vez, James Bond investiga uma organização secreta que surge a partir de um fato
do passado do agente da rainha. Enquanto isso, "M" tenta manter o MI6, que pode ser desativado em razão de uma crise política.
Mas por que
estou ansiosa para ver 007 Contra Spectre …?
# tem o
Daniel Craig - não preciso me ater a detalhes em relação a isso – o melhor 007
desde Sean Connery, embora eu não tenha nada contra os outros;
# o
Christoph Waltz (quem esquece dele em Bastardos Inglórios/2009?) promete ser um
vilão que vai ficar na história da trama só pelos poucos segundos que se vê no
trailer;
# a cada
filme, roteiristas reforçam a mudança de tom da franquia – saem as cenas
estapafúrdias e as bond girls lânguidas de sempre e entra um 007 sombrio, frio,
acompanhado de mulheres fortes, que subvertem os clichês de mulheres fatais
apenas na beleza;
# a
lindíssima Monica Belucci no elenco mostra que uma bond girl não precisa estar
na casa dos 20 anos e a Lea Seydoux também promete arrasar, misturando o visual
bond girl/agente secreta;
# eu achei
que iria morrer de saudades de Judi Dench no papel de “M” até descobrir que
Ralph Fiennes está no papel;
# só falta
agora ouvir a trilha sonora.
O filme é o
24° da franquia e foi dirigido por Sam Mendes. A estreia está prevista para 6 de novembro.
Assistir o documentário What Happened, Miss Simone?,
produzido pelo Netflix e recém lançado pelo serviço de streaming, nos faz
refletir o quão pouco nossa sociedade avançou em relação aos direitos sociais e
principalmente os da mulher. Ver a conturbada trajetória de vida da artista e
sua influência em relação a opinião pública sobre os direitos civis nos anos
60 nos faz pensar que, de várias maneiras, estamos revendo um triste filme.
Mas o documentário está longe de ser algo desolador. Ao
contrário! O talento indescritível de Nina Simone nos preenche de beleza e
sensibilidade.
Eunice Kathleen Waymon (nome de batismo da cantora,
compositora, pianista e ativista dos direitos civis nos Estados Unidos) foi
chamada em 1963 pela crítica e público de “sacerdotisa do soul”.
A voz sem limite e que parecia não haver nenhum esforço para
alcançar aquele timbre ao mesmo tempo aveludado, provocante e feroz dava tanta
intensidade à obra da cantora quanto o estilo virtuose da artista ao piano. Na
metade do documentário, um apresentador de programa de auditório dos anos 60
assim define Nina: “a artista associa técnica e disciplina geralmente utilizadas na música clássica e introduziu a fuga e contraponto ao estilo e espontaneidade
livres do jazz”.
Em 1963, Nina Simone foi convidada para fazer uma
apresentação de gala no Carnegie Hall, em Nova York e disse: estou no Carnegie
Hall e não estou tocando Bach” - em referência ao compositor clássico Johann
Sebastian Bach e ao fato de a casa ser notoriamente conhecida por receber
músicos eruditos, porém, aberta a artistas populares de grande talento.
A artista começou a tocar piano aos três anos e, incentivada
pelos pais, cursou a concorrida e exigente Juilliard School (escola de música e
artes cênicas), em Nova York. Vítima de preconceito, não conseguiu se firmar em
conservatórios e salas de espetáculos de música erudita, então, partiu para as
apresentações de jazz, blues e soul. Foi quando trocou de nome e assumiu o
pseudônimo Nina Simone. O estilo logo foi conquistando plateias não só nos EUA
como ao redor do mundo. E o legado da artista ultrapassou a esfera do talento
musical.
O documentário do Netflix foi produzido pela documentarista
norte-americana Liz Garbus. A cineasta teve o apoio da filha da cantora, Lisa
Simone Kelly, que dá contundentes depoimentos sobre a relação da artista com o
marido violento e fala sobre o ativismo da mãe na causa dos direitos
civis.
Para quem gosta da cantora,
a produção surpreende por apresentar o lado mais sombrio da artista sem medo,
pois, todo o documentário foi construído a partir de depoimentos de Nina
Simone. Quem conhece pouco, vai descobrir um ícone de uma época, que
influenciou toda uma geração de músicos.
Foi difícil escolher as cinco séries inglesas de época para
fazer uma espécie de ranking com as melhores. É lógico que não poderia faltar
Downton Abbey, então, só posso tentar eleger mais quatro. Acabo de assistir as
duas primeiras temporadas de Mr. Selfridge no Netflix e estou encantada com o
enredo, atores, roteiro, cenários, figurinos ... Tudo impecável, leve,
divertido e comovente ao mesmo tempo. O que me fez ter vontade de rever três
excelentes minisséries produzidas pela BBC: Cranford, Bleak House e Orgulho e
Preconceito.
Downton Abbey
Downton Abbey, produzida pela ITV, termina na sexta
temporada, que deve estrear na Inglaterra e Estados Unidos no final deste ano.
E já deixa saudades. A série alcançou a marca de 10 milhões de expectadores nos
episódios de fim de temporada e aqui no Brasil é transmitida pelo canal GNT.
O box com a coleção da primeira a quinta temporada também já está disponível
nas lojas. No Netflix, tem disponível apenas até a terceira.
A série conta a história dos Crawley, uma família
aristocrática inglesa que tenta manter os costumes e tradições de sua classe
social – terras, título de nobreza, casamentos arranjados – e se adaptar ao
contexto de mudança na sociedade dos anos de 1910 e 1920. Em contrapartida,
mostra as aspirações de ascensão dos empregados da casa, que estão em busca de
novas oportunidades profissionais, sobretudo as mulheres, que tentam se firmar
como protagonistas de suas vidas. É encantadora a maneira como os roteiristas
abordam a temática feminina: a entrada no mercado de trabalho, o direito ao
voto e a educação. Apesar do contexto de época, é impossível não se identificar
com as lutas das personagens.
Mr. Selfridge
Mr. Selfridge foi uma ótima surpresa em 2015 e, apesar de
diversas indicações de amigos, demorei para começar a ver. A série conta a
história de Harry Gordon Selfridge (interpretado por Jeremy Piven, que está
excelente no papel), fundador da loja de departamentos londrina Selfridge’s. Em
1909, o comerciante norte-americano chega a Inglaterra disposto a fundar a
maior loja de artigos de luxo da Europa. Londres era uma capital efervescente,
mas ainda não tinha o glamour das compras de Paris. Selfridge não queria apenas
vender roupas, acessórios, perfumes e cosméticos das marcas mais desejadas da
época: pretendia inovar na maneira de comercializar esses itens, oferecendo uma atmosfera teatralizada, com ambientação temática e uma experiência de compra
inesquecível. Para isso, investia fortemente em publicidade e levava para a
loja artistas e personalidades da época. Divertidíssimo ver, por exemplo,
atores do cinema mudo que foram famosos no início do século passado ou ainda
uma sessão de autógrafos de Sir Arthur Conan Doyle, criador do detetive
Sherlock Holmes. O enredo da série é rápido, com resoluções instigantes dos
desafios enfrentados pelo empreendedor. Não vejo a hora de assistir a terceira
temporada. A atração, segundo a ITV, deve contar a ascensão e decadência do
personagem, e terá fim na quarta temporada. A loja, por sua vez, é sucesso até
hoje na Oxford Street, em Londres. Assim como Downton Abbey, Mr.
Selfridge apresenta os desafios dos empregados da Selfridge’s e a afirmação
pessoal e profissional dos personagens da época, que além de buscar ascensão
social, tiveram que enfrentar a tragédia da Primeira Guerra Mundial. A produção é baseada no livro Shopping, Seduction & Mr. Selfridge,
de Lindy Woodhead (Random House). O DVD com a primeira temporada está previsto
para ser lançado ainda neste semestre.
Cranford
Existe uma outra categoria de produções inglesas que não
pode ficar de fora: as minisséries. Todas estão disponíveis em DVDs. Quem está
esperando a estreia dos seriados no Brasil, pode começar a se divertir com
produções de poucos episódios e, como são de época, geralmente são inspiradas
em clássicos da literatura britânica. Uma delas é Cranford (2007), adaptação da
obra da escritora Elizabeth Gaskell. Só tenho uma coisa a dizer sobre essa
produção: se você gosta de séries inglesas, corra para assistir. É uma comédia
de costumes de época estrelada pelas melhores atrizes do teatro inglês: Judi
Dench (007), Eileen Atkins (Magia ao Luar), Julia Mackenzie (dos filmes das
histórias de Agatha Christie), Imelda Stauton (a terrível professora Dolores
Umbridge, de Harry Potter – quem esquece?). Os moradores do minúsculo vilarejo
de Cranford tentam se adaptar às inovações da medicina com a chegada de um novo
e arrojado doutor no local, assim como a aceleração do ritmo de vida, provocado
pela inauguração da linha férrea e uma estação de trem na vila.
Bleak House
O tom sombrio e soturno de Bleak House, de Charles Dickens,
se faz presente nesta produção da BBC de mesmo nome, produzida em 2005. Em 15
episódios de pouco menos de meia hora cada um, o enredo tem como ponto de
partida a morte de um homem misterioso e se desenrola para contar um mistério
que envolve uma linda aristocrata. O contexto histórico é o sistema judiciário
britânico, que Dickens acusava, na época, de ser moroso demais. A ganância dos
envolvidos no processo judicial Jarndyce versus Jarndyce, que se prolongava por
gerações, e a loucura são os pontos trágicos da trama que, chega um certo
momento, fica impossível de largar. Destaque para a impecável participação de
Gillian Anderson (Arquivo X) no papel de Lady Deadlock: até esquecemos que a
atriz é americana, tamanha a perfeição do sotaque e impostação britânicos.
Orgulho e Preconceito
Acho que a minissérie Orgulho e Preconceito sempre vai estar
em uma lista desse tipo. Foi a primeira produção da TV inglesa a alcançar
sucesso estrondoso fora da ilha e ainda por cima levou Colin Firth (Kingsman, O
discurso do rei) ao sucesso. A série dispensa apresentações por ser uma
adaptação do livro de Jane Austen. Apenas pode-se dizer que o alto grau de fidelidade
em relação ao livro é um dos grandes méritos da trama para a TV que, ainda
assim, consegue ter a agilidade suficiente para atrair novos públicos. No papel
de Lizzie Bennet, está a inesquecível interpretação da atriz Jennifer Ehle, que
ganhou um Bafta por sua atuação. A produção é antiga, de 1995, mas não perde a atualidade, graças à qualidade de produção da BBC. Antes que me perguntem:
a série é muito melhor que o filme de Joe Wright (2005), estrelado pela Keira
Knightley.
Se essas séries são as cinco melhores, só assistindo para
saber. Aproveite para ver os atores britânicos consagrados arrasando em suas
atuações. E os mais jovens, que tinham pequenos papéis, mas já eram ótimas
promessas, e hoje fazem sucesso em produções de destaque do cinema e séries de
grande apelo de público, como Game of Thrones.
Minha infância, no interior paulista, foi povoada de velhos.
Penso nos meus vizinhos e não consigo lembrar de uma casa onde não houvesse um
avô ou avó pelo menos. Ou uma tia solteirona. Era comum que mesmo as casas mais
pobres tivessem um puxadinho nos fundos para abrigar os agregados. Um irmão do
meu avô, com problemas mentais, ficou ao Deus dará com a morte dele, acontecida
em outra cidade. Viviam juntos apenas os dois e ninguém queria ficar com o
“tio” maluquinho, mas botar em um asilo nem pensar. Fizeram uma reunião, em
Marília, onde vivia a maioria da família. Muita conversa vai , muita conversa
bem, até que um irmão da minha mãe decidiu-se: “Se o problema é um lugar pra
dormir e um prato de comida, deixem que eu resolvo”. E lá se foi o Cesário, barulhento,
já velhusco, às vezes teimoso feito uma mula mas quase o tempo todo um tipo
alegre e sociável, morar em uma edícula nos fundos da casa do meu tio, onde
viveu por mais dez ou quinze anos, de modo decente e confortável. Cesário tinha
coisas de menino, aparecia na casa da gente falando alto e se enfiando na mesa
na hora do almoço, e muitas vezes queria ser útil e bagunçava mais do que
ajudava. Aporrinhava, sim, mas resmungávamos e ficava por isso mesmo.
E nos fundos do meu quintal havia uma espécie de vilinha onde só
viviam japoneses. Eles mantinham seus velhos (e como tinha japonês velho!) em
casa: eles eram reservados e muitas vezes malcriados com as noras, genros e
netos, mas ninguém dava um pio contra eles – ao menos em voz alta.
Tive uma tia que acabou internada num asilo, irmã de meu pai,
mas era uma pessoa meio louca, imprevisível, com momentos agressivos. As
freiras que tomavam conta do lugar avisavam meu pai durante as crises e lá ia
ele, duas, três vezes na semana, visitar tia Maria. Como ele fazia não sei, mas
conseguia acalmá-la e ainda achava tempo para consertar telhados e móveis da
instituição. Minha mãe brincava dizendo que só Jesus estava acima dele entre as
religiosas.
Perdi a avó paterna aos cinco anos, pouco lembro dela. Mas morou
com meus pais, claro, desde que ficou viúva, até morrer. Baixota, magra e
ignorante, como a maioria dos imigrantes italianos que vieram do campo, tinha
modos ditatoriais e minha mãe deve ter sofrido nas mãos dela, pelo pouco que
sei. Já minha avó materna era uma mulherona falante, gorda e alta, fofoqueira
pra dedeu. Hoje posso dizer que era uma “avó itinerante”: teve sete filhos e
vivia na casa de cada um pelo tempo que lhe convinha, ficando às vezes dois e
às vezes até seis meses. Os filhos, genros e noras suspiravam conformados
quando ela comunicava (sem nunca pedir permissão) que ia chegar, de mala e
cuia. Aliás, nem tinha cuia, apenas carregava suas coisas pessoais. Os filhos
que cuidassem de alimentá-la, arrumar médico, dentista, cabeleireira. Eu a detestava
por conta da língua maligna e grudava no meu pai: onde ele ia (para fugir dela),
eu ia atrás. Mas ele aguentava o tranco; afinal minha mãe também tinha
aguentado a parte dela com a sogra.
Cresci sabendo que tinha de respeitar essas convenções. Mamãe,
que nunca quis morar com ninguém depois de viúva, foi diariamente visitada pelo
meu irmão e/ou cunhada até o fim da vida. Minhas duas irmãs e eu tínhamos vindo
embora para São Paulo, mas sempre havia uma de nós na casa dela, em férias,
feriados, natais.
Particularmente, só depois dos 50 anos me dei conta de que
também estava ficando velha. Sem filhos, não teria ninguém para cuidar de mim.
No fundo, até achava que se preciso meus irmãos dariam um jeito, me colocariam
em algum lugar. Mas parecia um universo tão distante ... Velhice era coisa pros
outros, não para mim.
Por sinal sempre achei graça na tia de uma amiga, velhinha de
mais de 80, muito econômica, e que quando lhe diziam que devia gastar um pouco
mais, viajar, jogar bingo, sei lá, aproveitar a vida, respondia: “Não posso,
estou guardando para minha velhice”.
Ultimamente, tenho visto muitos velhos – até porque eles são a
minha geração, oras – e muitos vivem sozinhos ou mesmo se tornaram mantenedores
de filhos e netos. Triste realidade a nossa... São em geral tratados como
estorvo, mesmo quando suas economias ajudam a sustentar escolinhas e o lazer
das crianças. Felizmente, também há aqueles que continuam ativos, depois dos 60
ou 70, trabalhando e se virando por si próprios. Fazem cursos, se distraem, nem
que seja indo ao médico! Esses são felizardos.
No meu caso, como sempre trabalhei, não me dei conta de que a
idade batia à porta. Mas em algum momento tive de cair na real. Hoje, com 66,
observo as pessoas no metrô, na rua, no cinema, buscando a minha “turma”; e
a não ser no caso dos visivelmente ricos, vejo que a qualidade de vida dos
idosos mudou bastante – no meu entender, pelo lado “humano”, para pior. Ninguém
tem muito tempo para eles. Não vejo filhos e netos acompanhando-os. Também fico
de olho na minha vizinhança, e raramente vejo velhos morando com a família.
Pela primeira vez, sinto receio. Não da morte, mas de como viver até lá sem ser
estorvo. Tudo que quero – olha a ironia – ... é morrer “saudável”, isto é, ir
embora de repente, sem tempo nem pra dar tchau a quem fica. Pavor de ficar
entrevada numa cama, incapacitada de locomoção, ou pior, nas trevas do Alzheimer.
Tenho pena dos velhos, como tenho dos cães e gatos abandonados.
Penso sempre no filme “Blade Runner, O Caçador de Androides”, em
que um grupo seleto de replicantes se revolta por conta suas vidas breves, com
prazo determinado de validade. No final, o líder deles, Rutger Hauer, uma
figura magnífica, no auge de sua beleza e masculinidade, se conforma com a
morte , mesmo sem concordar com ela. E sua tristeza fica clara numa breve fala,
diante do seu “caçador”, Harrison Ford (também num de seus momentos máximos) e
cujo conteúdo jamais esquecerei. Ele diz assim: “Eu vi coisas que vocês não acreditariam. Um
ataque de naves em chamas no Cinturão de Orion. O brilho de raios-C na
escuridão, perto do portão de Tannhauser. E todos esses momentos se perderão no
tempo, como lágrimas na chuva. É hora de morrer”. E morre mesmo. Chorei e choro
sempre que vejo a cena.
Bem, mas na época em que vi o filme (de 1982)
eu entendia o replicante: tanto conhecimento e morrer assim, tão cedo,
bestamente, parecia horrível. Mas hoje leio as notícias, olho as pessoas à
minha volta, com suas vidas pela frente, em um mundo que só se complica
conforme amadurecemos, e não entendo porque fazemos questão de viver além de
certo tempo, ou ter esperança de passar adiante o que aprendemos e vivemos.
Quem se importa?
Lá pelas tantas a gente sabe que nada de muito
fundamental vai mesmo acontecer conosco. Francamente, bem que eu gostaria de
poder decidir e, de livre e espontânea vontade, olhar um dia para um ponto
qualquer na noite e dizer: “Hora de morrer.” Quem sabe brilhar por um momento e
fim.
A cena final
Blade Runner - O caçador de Andróides - 1h57
Direção: Ridley Scott
Vilma Pavani é jornalista, está ficando uma velhota ranzinza e
acha que existem basicamente dois prazeres na vida ao ver um filme: falar bem
ou falar muito mal!
O título acima vem de uma frase dita mais de
uma vez por Arnold Schwarzenegger em seu novo filme, O exterminador
do futuro – Gênesis (2015), que está estourando nas bilheterias nacionais e
internacionais. E além de se juntar a outros slogans que prometem ficar (tal
como “I’ll be back” ou “Hasta la vista””), é uma descrição perfeita desse
brutamontes que no último dia 30 de julho fez 67 anos. Nascido na
Áustria, Schwarzenegger, ator que beira o abaixo da crítica, é um
ex-fisiculturista, cinco vezes Mister Universo, ator, empresário e político–
foi o 38º governador do estado da Califórnia, eleito em 2003. Além
do mais, burro é que não é mesmo: li certa vez que ele colecionava obras de
arte e quando lhe perguntavam porque não investir em ativos financeiros,
respondeu algo assim: “É muito mais agradável olhar para meu
dinheiro e usufruir dele pendurado nas paredes”. Virei fã de carteirinha.
Recentemente,
o ator esteve no Brasil para divulgar
o novo fime e fez uma promessa durante entrevista ao G1: atuará em filmes de ação “até
morrer”. O exterminador do futuro – Gênesis, seu
quarto como o cyborg que protagoniza a franquia, está nos cinemas brasileiros e
quem for vê-lo notará que está em ótima condição física,
e lembrem que sua primeira vez no pape foi há 30 anos!
Foram três filmes na
sequência (ele só não atuou em um deles, porque estava ocupado governando a
Califórnia, para o bem ou para o mal). Ao todo, a franquia arrecadou até hoje
mais de US$ 1 bilhão em bilheteria. OK, o filme tinha a ótima direção de James
Cameron (o competente mas chato diretor de Titanic e Avatar), mas aposto todos
os meus milhões de dólares que sem Arnold a coisa não teria ido tão longe. O
jeito canastrão, a cara de robô inexpressivo, a grandeza de não tentar “atuar”
(a pior coisa do mundo é ator ruim tentando parecer bom – vide
Sylvester Stallone) e um quase inexplicável carisma atraem o público feito
água.
Bom, até agora não abri
o bico sobre o novo filme, que fui ver no fim de semana passado. Mas me poupem,
não me digam que alguém quer mesmo saber o que a a crítica pensa do filme. O
negócio é sentar numa boa cadeira (de preferência no Shopping Vila Olímpia, com
aquele espaços enormes entre os ocupantes, de forma que você não
ouve bem o que os babacas ao seu lado comentam), esticar as pernas e se
divertir, com as caras e olhares tortos do cyborg , com algumas piadinhas
irresistíveis. Se os outros atores estão bem? Sei lá, quem vai prestar atenção
numa mocinha boboca e num rapagão esforçado? Queremos é ver Mr Arnold em cena!
Velho, sim, mas não obsoleto, oras.
Voltemos, pois, à
carreira incrível desse cara, que começou a se destacar em 1977 com o documentário sobre o concurso de Mr. Universo, O
Homem dos Músculos de Aço. Em 1982, ganhou sua chance no filme Conan - O
Bárbaro (em que tem meia dúzia de falas, bem ruins aliás, mas
faturou mais de 100 milhões de dólares e gerou a sequência Conan - O
Destruidor). Veio então O Exterminador do Futuro e o resto é história. Fez um
monte de filmes de ação: Comando para Matar, Predador, Inferno Vermelho, O
vingador do Futuro etc etc (com muita porcaria no meio deles) e até
comédias, como Um Tira no Jardim de Infância e Irmãos Gêmeos, além do delicioso
True Lies, com a fantástica Jamie Lee Curtis. Dizem que fez também um filme de
zumbis, mas este eu não vi, que afinal não sou cyborg.
Na coluna anterior, eu estava meio chateada
com a situação dos nossos velhos (inclusive a minha) e temo ter sido um pouco
amarga. Quando penso em Arnold Schwarzenegger , ou na série
Grace and Frankie, reconsidero. E lembro o velho chavão sobre certos
vinhos, que ficam bem melhores com o tempo. Viva a veiarada que sabe se
atualizar!
O Exterminador do Futuro: Gênesis - 2h06 (2015)
Direção: Alan Taylor
Vilma Pavani
é jornalista e não perde um filme de Arnold Schwarzenegger se possível – ou no
cinema ou na TV. Se alguém duvida, pergunte-me sobre um filme chamado Cactus
Jack, O Vilão, bizarríssimo, de 1979, em que ele faz um xerife bobão e atua com
nada menos que Candice Bergen e Kirk Douglas. Só Deus sabe como
foram parar lá! Ganha um pirulito quem viu!
Quem me
conhece bem já sabe que Hugh Jackman é um dos meus “queridinhos”. Acompanho a carreira do
ator desde o filme Swordfish: a senha (2001/Dominic Sena). Filme fraquinho, eu
sei, porém, o ator australiano, pelo menos para mim, já prometia. Artista super
dedicado, aos poucos, Jackman foi conquistando Hollywood e emplacando um
sucesso após o outro. Além de ficar super popular com o personagem Wolverine na
saga X-Men (2014), ganhando filme próprio (2013/Wolverine-Imorta/James
Mangold), finalmente recebeu um Oscar - merecidíssimo - por sua atuação em Os
miseráveis (2012/Tom Hopper).
Neste ano,
Jackman, que está com 46 anos, surpreende em dois filmes, com visual
completamente diferente um do outro. Na última semana, saiu o novo trailer de Pan
(outubro/2015/Joe Wright), que reconta a história do clássico Peter Pan do dramaturgo J.M. Barrie,
publicada em 1911. Jackman será Barba-Negra e está quase irreconhecível na
figura do personagem pirata.
Em Chappie,
Jackman interpreta o engenheiro Vincent, interessado em sabotar um ambicioso
projeto de criação de robôs na África do Sul, que irão substituir a força
policial local. O filme já está disponível para locação via streaming:
Você
gostou de Operação Big Hero, da Disney – que venceu o Oscar de
melhor animação em 2015, derrotando O Conto da Princesa Kaguya (Kaguyahime
no Monogatari/Japão)? Bem ... sinto muito, mas das
duas uma: ou você não viu o conto japonês ou está faltando sensibilidade para
apreciar as verdadeiras coisas boas. Sei que a cultura japonesa é muito
diferente da ocidental e que ficamos viciados em um só tipo de olhar, aquele
facinho, ao estilo “bem contra o mal” e o bem sempre vence no fim, nos quais os
acontecimentos seguem lineares e o moralismo se sobrepõe à moral (sim, são
coisas diferentes). Já vi muita gente boa dizer que os desenhos japoneses são
incompreensíveis, que são lentos e absurdos (como se uma princesa sair congelando
tudo que toca seja muito normal...). Minha sugestão é que vá ver de olhos e
mentes bem abertos essa maravilha desenhada toda a mão, em suaves tons
aquarelados (e de vez em quando cortada pela fúria de traços pretos de carvão,
conforme as situações, que nos provocam sensações melancólicas, alegres, sutis,
ou levemente assustadoras pela força dos traços). A animação foi criada por meio de técnicas
convencionais. Como disse, tudo foi pintado e desenhado em papel e somente
depois pós-produzido em computadores. Dirigida por Isao Takahata, co-fundador do Estudio Ghibli
(ao lado de Hayao Miyazaki (A viagem de Chihiro/2003 e Pony, uma
amizade vinda do Mar/2008, entre outros) tem um roteiro envolvente e poético, e
uma linda trilha sonora. Foi inspirado na lenda popular japonesa O
Corte do Bambu, uma das mais antigas histórias do país, criada por volta do século
X. Um simples cortador de bambu encontra dentro de uma planta uma garotinha minúscula
e de aspecto nobre. Ao levá-la para casa, a menina se torna um bebê humano que
cresce rapidamente e recebe o apelido de Pequeno Bambu das crianças
vizinhas. O pai, muito simples, recebe presentes de outros bambus (ouro e
roupas de seda), o que o leva a sonhar um futuro glorioso para a filha adotiva.
Ele a arranca do lugar e a leva para uma nova vida de luxo e etiqueta na
capital. Torna-se a princesa Kaguya e sua beleza e seus talentos a fazem
disputadas por vários nobres. A pressão e a saudade da vida
simples e dos amigos da infância levam a jovem a se tornar infeliz e a conduzem a uma jornada que
revela sua verdadeira origem. Com os japoneses nada é simples, e sua
literatura e seus filmes, inclusive os infantis, são capazes de delicadezas
infinitas, sem no entanto dourar a pílula: a vida é feita de emoções diversas,
ganhos e perdas e não há concessões. Uma lição de vida para todos, grandes e
pequenos. Mas ao menos no caso do Estudio Gihbli, há uma enorme preocupação em
mostrar que homem e natureza são parte de um todo e devem conviver em harmonia.
Uma pequena joia que todos deveriam tentar ver: respirando com o olhos e o coração
cheios de boa vontade para perceber que o mundo é muito mais do que parece.
Aproveite, ainda está nos cinemas!
O Conto
da Princesa Kaguya
O Conto
da Princesa Kaguya é um filme japonês de animação de 2013 produzido pelo Studio
Ghibli, dirigido e adaptado por Isao Takahata
Indicações: Oscar de Melhor Filme de Animação, Japan Academy Prize - Melhor Animação
Vilma
Pavani é jornalista, nascida em Marília, terra de japoneses, e tem até os olhos
meio puxados de tanto comer sushi nos vizinhos, tomar banho de ofurô, dormir
sob futons e ter amigos chamados Satiko, Harumi ou Takashi. Isso talvez
explique a fascinação por essa cultura tão especial. Jia ne! (até mais)
Três
palavrinhas para o filme O Exótico Hotel Marigold 2 – imperdível, inesperado e
surpreendente. Quando vi o trailer do primeiro filme e o elenco, mal pude
acreditar que estava ali uma produção que reunia Maggie Smith e Penelope Wilton
(Downton Abbey), Bill Nighy (Simplesmente Amor) e Judi Dench (Philomena).
Nesta
segunda edição da história, o diretor John Madden (Shakespeare Apaixonado) não
apenas repetiu esse elenco estrelado como convidou Richard Gere (Noites de
Tormenta) para integrar a continuação da trama ambientada em um local que
também poderia ser chamado de Fabuloso Hotel Marigold.
Tanto o
primeiro filme quanto o segundo tem como protagonista Dev Patel (O último
mestre do ar), que interpreta Sonny Kapoor, um entusiasmado e ambicioso dono de
uma propriedade decadente na Índia, que sonha em transformá-la em um elegante
hotel para idosos que estão próximos de atingir “a grande ascensão”, nas
palavras do personagem. Um local em um país quente e exótico, pronto para
receber idosos de várias partes do mundo, que não querem terminar a vida em
enfadonhos eventos de família, cuidando de netos ou asilos convencionais. E,
por que não, prontos para uma última grande aventura na vida do outro lado do
planeta. A história é baseadas em livro de título homônimo da escritora e
roteirista britânica Deborah Moggach.
A atuação
de Patel nos dois filmes é simplesmente adorável. O ator, que tem 25 anos, passeia
entre gigantes do cinema e teatro britânico com vigor e ao mesmo tempo com a
harmonia necessária para atuar ao lado de atores tão experientes. E o enredo
também ajuda. As histórias de cada um dos personagens vão se entrelaçando aos
poucos, assim como no primeiro filme, seus dramas, problemas da idade madura,
assim como a busca de novos desafios profissionais, amores e aventuras.
Diálogos engraçados ou tipicamente de humor negro inglês, já que estamos
falando de pessoas conscientes da própria finitude, mostram o quanto o diretor
e roteirista enxergou nas histórias da vida madura e nos atores que escolheu
uma fina expressão das mudanças sociais e comportamentais das pessoas que se
recusam a falar em aposentadoria, pijamas e chinelos. Lógico, que o humor
britânico ácido ficou por conta de Maggie Smith, a intrépida sócia do Hotel
Marigold.
Como diz a
personagem Evelyn Evergreen (sobrenome sugestivo, já que a palavra também
significa “sempre-viva” ou “perene”): “quantas novas vidas ainda podemos ter”?
Quantas quisermos”, ela mesma responde.
Imperdível
para quem gosta de cinema inglês e ainda com uma pitada do exotismo indiano,
seja na música, no colorido e nos lindos rituais de casamento. Uma mistura perfeita
de humor inglês com Bollywood.
Meus amigos
sempre me perguntam quais séries estou assistindo e me pedem dicas das que eu já vi. Adoro ver
séries com temporadas curtas, com menos de 15 episódios, possíveis de serem
vistas em uma maratona de feriado prolongado ou agora nas férias de julho. O difícil é
quando a temporada termina e ficamos com gostinho de quero mais. Os títulos
escolhidos para este post não são novos, porém, se encaixam bem para quem quer
ver algo rápido. E todas são baseadas em livros, então, há a possibilidade de ler
a história original.
Três séries
me causaram essa sensação de quero mais. A primeira delas foi Under the Dome,
baseada em livro homônimo do Stephen King. O primeiro episódio já nos prende a
atenção. A pacata cidade de Chester’s Mill, no Maine, misteriosamente, é
recoberta por uma imensa cúpula transparente que a divide do resto do mundo. A
série tem duas temporadas de 13 episódios cada uma, disponíveis para assinantes
do Netflix e já foi transmitida pela TV aberta. Tão interessante quanto o
mistério do domo invisível, é perceber a transformação do comportamento dos
habitantes que, após ficarem isolados do restante do País, formam um
microcosmos do que são as relações humanas nos dias de hoje: a busca pelo poder
político e econômico, mesmo que em detrimento do bem comum.
Outra série
com enredo tão sinistro quanto é Resurrection. Estou falando da versão
americana baseada no livro de Jason Mott, porém, há uma produção francesa e
outra do Netflix com enredos bem parecidos. Os habitantes da pequena cidade de
Arcadia, no Missouri, começam a receber de volta seus entes mortos de forma
inexplicável. Pessoas que “passaram dessa para uma melhor” há 30, 50…100
anos atrás reaparecem do nada, como se tivessem apenas dormido algumas horas,
vestindo as mesmas roupas que foram sepultadas. O primeiro a reaparecer é o
pequeno Jacob (crianças nessas situações sinistras sempre dão um mistério maior em tramas sobrenaturais). O menino ressurge em um arrozal na China e é levado para casa
pelas autoridades do FBI, que inicia um processo simples de entrega de um
suposto orfão à família. Lá, o agente de imigração J. Martin Bellamy,
interpretado por Omar Epps, se depara com o impossível e ele mesmo parece ser a
figura central desse mistério.
O seriado
Sleepy Hollow é para quem gosta de fantasia com uma pitada de história. Sou
apaixonada pelo filme Sleepy Hollow - A lenda do cavaleiro sem cabeça (1999), de
Tim Burton, então, quando vi essa série, logo fiquei interessada, mas demorei
muito para conseguir ver. Adorei tanto quanto o filme, principalmente por
atualizar a trama para os dias de hoje e brincar com o passado e presente,
através da figura do personagem Ichabod Crane. Vivido pelo ator britânico Tom
Mison (excelente no papel, com um toque de humor tipicamente inglês), Crane
é um soldado morto em batalha no ano de 1781, durante a Guerra de Independência
dos Estados Unidos. Mas é envolto de um feitiço que o faz levantar nos tempos
de hoje na cidade de Sleepy Hollow. O problema é que o cavaleiro sem cabeça
ressurge junto com Crane que, junto com a tenente Abbie Mills (Nicole Beharie),
começa a investigar uma série de decapitações no condado. O enredo mostra
alguns mistérios da maçonaria e brinca com a história norte-americana, dando
respostas divertidas para alguns fatos históricos, que supostamente teriam fortes conexões com bruxaria. A trama é baseada no conto de Washington Irving – A lenda de
Sleepy Hollow – publicado dentro do livro “The Sketch Book of Geoffrey Crayon”,
de 1820.
Nos velhos tempos da ditadura (que hoje parecem tão bons para
alguns, mas era um horror para quem tinha cérebro) todo tipo de discussão no
cinema sofria censura. Chegou uma hora em que os diretores e atores
nacionais não conseguiam trabalhar ou terminar nada por conta disso
e perceberam que o jeito de sobreviver era fazer filminhos simples, comédias
sem pretensão, mas com uma certa dose de sexo, pelo menos para atrair público.
Nascia aí um gênero (nos anos 70) que durou cerca de 15 anos, até a volta da
democracia: a pornochanchada, mistura das ingênuas chanchadas da Atlântida dos
anos 30 a 60, com os chamados “filmes da boca do lixo”, que exploravam o
erotismo até a beira da pornografia.
É interessante que os zelosos censores não permitiam qualquer
cena que lembrasse uma greve ou crítica a militares, por exemplo, mas achavam
normal apresentar mulheres seminuas, tarados, adúlteros etc. Parte dos setores
mais conservadores também reclamavam da pornochanchada, mas provavelmente a
preferiam ao cinema politizado. Nesses filmes, invariavelmente, personagens
velhos, gays, feios ou gordos eram ridicularizados. Verdade que isso não mudou
tanto: até hoje, pouco se fez no cinema brasileiro e mundial para mostrar que
existe vida além da juventude, da magreza ou de outros estereótipos hollywoodianos.
Mas também é inegável que houve avanços.
Vamos ficar aqui com os personagens idosos. Todo mundo sabe (ou
devia saber) que atores e atrizes, mesmo os de primeiro time, não podem
envelhecer, sob pena de ficar sem papéis relevantes – uma realidade que é mais
sentida nos Estados Unidos. No máximo, conseguem interpretar personagens à
beira da morte, senis ou fazer uma pontinha como “avô da noiva”, o “tio chato”
de algum adolescente, coisas do gênero. Sexo na terceira idade, então, nem
pensar. A não ser que seja para ser tratado como o velhote
pervertido ou a mulher idosa que sustenta algum salafrário.
Portanto, é uma grata surpresa assistir ao seriado americano
“Grace and Frankie”, produzido pela Netflix e criado por Marta Kauffman, roteirista que
marcou uma geração de espectadores com "Friends" (1994-2004). Naquela época, Kauffman falava da geração
dos 25 aos 35 anos. Agora, ela aborda as relações entre pessoas na faixa dos 70
anos, de maneira divertida, mas sem ser “bobinha”. O quarteto central é composto
por Jane Fonda (77 anos), Lily Tomlin (75) Martin Sheen (74) e Sam Waterston (74).
Também foge do politicamente correto: Lily, que faz uma eterna hippie, fuma
maconha descaradamente, e o primeiro capítulo da série mostra Sheen (Robert) e
Sam ( Sol) pedindo divórcio às protagonistas e se beijando, ao
assumirem que são gays. Quando Grace pergunta porque demoraram tanto
a sair do armário, Robert explica: porque agora podem se casar.
As diferenças entre os personagens (Grace,
chiquérrima e sofisticada, é o oposto de Frankie, com suas roupas ripongas,
seus produtos naturais, sua ioga, e Robert faz o contraponto descolado para o
tímido Sol) são o sal da comédia. E o núcleo familiar e de amizades também se
destacam, garantindo boas risadas e alguma reflexão sobre sexo, drogas, hábitos
e as dificuldades de se retomar a vida após o divórcio.
Os
mal humorados certamente vão dizer que o drama é superficial, mas acredito que
só de ver na tela personagens que passam longe da obsessão pela juventude
eterna já vale a pena. É bom para os mais velhos, que se vêm retratados como
pessoas que têm vida “normal” e para
os mais novos, que podem olhar para seus avós, pais, professores, como gente
com os mesmos anseios que eles.