Mostrando postagens com marcador Andrew Scott. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Andrew Scott. Mostrar todas as postagens

domingo, 29 de novembro de 2015

Victor Frankenstein antes do monstro

Por Dora Carvalho

O livro Frankenstein, da escritora britânica Mary Shelley, é um dos romances mais bonitos e ao mesmo tempo um dos mais assustadores da literatura ocidental. Vários diretores e roteiristas adaptaram a história para a tela grande e para a telinha, mas a complexidade da obra dificulta a transposição de todas as nuances do enredo. Resta então criar a própria versão, como é o caso de Victor Frankenstein (2015), que conta a trajetória do criador antes da criatura. Então, se você espera ver nas telas algo próximo do livro, esqueça.
Dirigido por Paul McGuigan, que tem no currículo a direção de episódios de várias séries de TV, como Sherlock, Scandal, e filmes de menor expressão, Victor Frankenstein tem como trunfo a presença de atores conhecidos como protagonistas. O roteiro é assinado por Max Landis, que neste ano também está a frente de American Ultra (2015).
Daniel Radcliffe parece cada vez mais se descolar da figura do bruxinho Harry Potter e o ator James McAvoy, no papel do personagem-título, vem transitando por diversos papéis de filmes de ação e neste mostra uma faceta mais visceral e de loucura, bem próximo da personalidade do personagem criado por Mary Shelley.
A história é contada a partir do ponto de vista de Igor Straussman (Radcliffe), um palhaço de circo corcunda, maltratado nas apresentações circenses, que acaba sendo resgatado por Victor Frankenstein. As cenas de fuga e perseguição são vertiginosas e logo dão o tom do filme. Igor, apesar de viver praticamente nas jaulas do circo, gosta de medicina e aprendeu sozinho anatomia e técnicas cirúrgicas. Esse fato chama a atenção de Victor Frankenstein, logo após Igor salvar a vida da acrobata Lorelei (Jessica Brown-Findlay, de Downton Abbey), com uma inusitada técnica cirúrgica. Victor percebe então que o rapaz pode atender seus propósitos de criação de vida após a morte.
O filme é um daqueles que costuma agradar mais o público do que a crítica especializada, que torceu o nariz para a produção. Trilha sonora, figurino, cenários e ambientação na Londres vitoriana estão impecáveis. No elenco, ainda tem a presença de ótimos atores, como Charles Dance (Tywin Lannister/Guerra dos Tronos), Andrew Scott (Spectre e Sherlock). E se você prestar muita atenção, perceberá que Mark Gatiss (o Mycroft em Sherlock) faz uma pequena participação.

O enredo tende a certos momentos para o exagero, mas nada que estrague a diversão, se o espectador não for muito exigente. Boa sessão da tarde para o período de férias que está chegando.