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sábado, 9 de julho de 2016

Whitechapel: imitações de crimes

Por Dora Carvalho

E se os crimes atuais fossem ecos do passado? E se a história mostrasse os caminhos das investigações? A ótima sacada da série Whitechapel é ter um roteiro baseado em crimes reais ocorridos no distrito londrino de mesmo nome ao longo dos últimos 200 anos.
O bairro é famoso desde o final do século 19, quando Jack, o Estripador cometeu o que se chama hoje de assassinatos em série e matou cinco mulheres de forma assustadora, provocando terror na população da época. O primeiro serial killer da história nunca foi descoberto. Em 2008, a série Whitechapel reconta esses crimes. O detetive Joseph Chandler, vivido pelo ator Rupert Penry-Jones, é um policial metódico e cheio de manias que precisa resolver um caso que corre sérios riscos de também ficar sem solução.
Whitechapel tem quatro temporadas. Cada uma delas desenvolve a ideia de que a história pode fornecer indícios de como descobrir o chamado “modus operandi” dos criminosos.
O trio de protagonistas tem, além de Penry-Jones, os divertidos atores Phil Davis, que faz o detetive Miles (excelente!), e Steve Pemberton como Edward Buchan, um guia turístico de roteiros de casos misteriosos,  obcecado por crimes não solucionados. O ritmo acelerado do roteiro e o humor britânico despertam o interesse desde o primeiro episódio. E a empatia com os atores seguram o telespectador, já que o destino de cada um fica em cheque ao longo dos episódios.
A série, embora tenha um início muito promissor, começa despretensiosa. E essa é a melhor qualidade da trama, que vai se desenvolvendo conforme as pesquisas históricas dos investigadores. É um enredo clássico de crimes. Bem próximo das narrativas de Arthur Conan Doyle ou Agatha Christie. Um assassinato é cometido e as pistas surgem aos poucos, mas de modo que confunde o espectador para segurar o suspense até a revelação final, bem no ritmo de thriller. O enredo, de maneira implícita, questiona ainda se o excesso de exposição midiática de crimes, tornando criminosos verdadeiras celebridades, não seria também uma forma de provocar ainda mais violência.
Em um mês de poucos lançamentos no cinema, a saída é aproveitar para ver seriados curtos como Whitechapel. A série está disponível apenas em DVDs importados ou pelo Netflix.





domingo, 1 de maio de 2016

Hinterland: série policial celta e sombria

Por Dora Carvalho

Hinterland em uma tradução livre do alemão significa interior, uma cidade atrás de um porto ou ainda se refere a uma região com população escassa, com menor desenvolvimento. É justamente essa a atmosfera que dá o clima do seriado britânico Hinterland (BBC), sem dúvida um dos melhores enredos policiais disponíveis atualmente e que já tem duas temporadas no Netflix e uma terceira em fase de produção.
O enredo principal é clássico das estórias típicas de detetive. Um corpo é encontrado em um local isolado, cujas circunstâncias de assassinato são as mais misteriosas possíveis. Mas há várias maneiras já conhecidas de desatar os nós da investigação e um jeito que pode ser muito diferente. É aí que a série Hinterland se destaca.
Primeiro: a série se passa na aldeia de Aberystwyth. Sim, os nomes locais são quase impronunciáveis, com muitas consoantes. Aí que vem o segundo ponto – a trama se passa no País de Gales, cenário pouquíssimo conhecido no imaginário cinematográfico e da TV. Em galês, o nome do seriado é Y Gwyll – Crepúsculo (há trechos escritos e falados em galês, porque as cenas foram rodadas nos dois idiomas). Terceiro: tudo acontece em áreas isoladas, onde o vento e o frio são quase constantes, a vegetação é singular, porque há lugares que parecem áridos, mas também florestas escuras e úmidas, além de pântanos. Há realmente locais assustadores nas locações de Hinterland (quase toda filmada em Ceridigion, região portuária do País de Gales). Ou melhor, a trama deixa tudo ainda mais sinistro e sombrio, com aquelas árvores retorcidas e sem folhas típicas dos romances góticos.
O DCI Tom Mathias (o ator galês Richard Harrington, que já fez um ótimo papel na minissérie Bleak House também da BBC, além de Lark Rise to Candleford) e sua parceira Mared Rhys, vivida pela atriz Mali Harris, têm um jeito peculiar de fazer suas investigações e interrogatórios. Usam a emoção no limite máximo. Ambos os personagens são pessoas atormentadas ou por dramas do passado (Mathias) ou por relacionamentos familiares difíceis (Mared). O que ocorre com os protagonistas é um espelho das investigações, já que é necessário primeiro descobrir segredos de família muito graves antes de chegar a um desfecho. Outro ponto positivo da série. De início, essas tramas paralelas que vão sendo tecidas faz parecer que a estória está perdendo o curso, saindo dos eixos, mas é um recurso para levar o telespectador a duvidar de tudo e de todos, inclusive dos investigadores, já que eles se envolvem muito com os suspeitos do assassinato. Cada episódio faz um eco do passado dos personagens ressoar novamente e nos ajuda a entender a formação psicológica dos protagonistas.
É uma série que não tem nenhuma pirotecnia e não tem as cenas de ação típicas de seriados policiais, sobretudo, se compararmos com os americanos, que tem os fãs mais entusiastas. Portanto, isso pode desagradar e muito quem gosta e está mais acostumado com esse estilo.
Mas quem busca recursos de cinema muito bem adaptados para TV – a luz que revela e esconde o que está prester a acontecer; planos amplos em cenários inóspitos, trilha sonora que eleva o suspense e os batimentos cardíacos e, o mais importante, interpretações de atores que realmente mergulham nos aspectos psicológicos dos personagens (isso acaba se revelando um ponto importante das investigações para a descoberta do verdadeiro assassino) tem chances de gostar. E me agradou mais ainda por ter toda uma atmosfera noir, porém, explorada em um cenário inusitado para o gênero.
As temporadas têm três e cinco episódios de mais ou menos uma hora e meia cada um. Isso permite um mergulho muito maior na estória e o roteiro lembra bastante tramas literárias, já que há tempo para explorar várias facetas dos personagens e nuances dos casos investigados. No primeiro episódio, tem-se a impressão que a série tem um ritmo mais lento, mas isso se desfaz logo a partir do segundo.
São tanto elementos explorados na série criada por Ed Thomas e Ed Talfan, produtores radicados em Cardiff, capital do País de Gales, que o fato de ter tido uma grande receptividade do público britânico não causou tanta surpresa, já que os dois declararam que os cenários galeses iriam sim instigar a curiosidade do público, de tão desconhecidos.
A terceira temporada deve ir ao ar em 2017. Por enquanto, as duas primeiras estão disponíveis no Brasil apenas pelo Netflix.

Só uma pergunta: o que será que está por trás do misterioso inspetor-chefe Brian Prosser (interpretado pelo ator Aneirin Hughes)? Ele tem um quê de Arquivo-X? Veja a série e lance suas apostas.  





domingo, 10 de abril de 2016

Wallander: detetive soturno

Por Dora Carvalho


O Netflix disponibilizou as quatro temporadas do seriado britânico Wallander, estrelado por Kenneth Branagh, para deleite dos fãs da premiada série britânica. Aqui no Brasil foi lançado em DVD apenas a primeira temporada e já está esgotada nas lojas há algum tempo.
A história é inspirada nos livros do escritor sueco Henning Mankell e começou a ser produzida em 2006 pela BBC. De lá para cá, já faturou os prêmios britânicos de drama televisivo seis vezes e um de melhor ator para Branagh.
O ator interpreta Kurt Wallander, personagem de uma série de livros de Mankell, um inspetor que atua na pequena cidade de Ystad, na Suécia. O caráter psicológico da trama e a personalidade do protagonista são os maiores diferenciais do seriado em comparação a outras tramas de detetives, além do fato de os produtores terem decidido por um cenário sueco, para ficar mais próximo do enredo dos livros, em vez de filmar em locações inglesas.
Cada temporada tem três episódios de aproximadamente 1h30 cada um, o que permite um mergulho na história e nas características do personagem. A atuação de Branagh, obviamente, é brilhante e o ator emprestou a Wallander ares de detetive soturno, porém, ligeiramente atrapalhado. Mas isso é só na aparência. O personagem tem relações conturbadas com a família, principalmente com a filha.
O que chama mais atenção logo no primeiro episódio é a beleza e aparente calmaria da pequena cidade de Ystad, que na verdade esconde violência e crimes aterradores.
Em maio, vai ao ar na Inglaterra a temporada final da série. Para quem não viu, agora é assistir as temporadas em maratona. Ou torcer para estrear logo por aqui a última temporada.






sábado, 7 de novembro de 2015

Sherlock: A noiva abominável

Por Dora Carvalho

Quem é fã de Sherlock (BBC) sabe a agonia que está sendo esperar mais episódios de uma das mais incríveis séries dos últimos anos. O roteiro que desloca a história para os nossos tempos, os diálogos mordazes, as viradas do enredo, a linguagem visual, o talento sensacional de Benedict Cumberbatch – o melhor Sherlock Holmes de todos os tempos – e a afinação com Martin Freeman (com todo humor britânico necessário para o papel) não deixam dúvidas sobre o cuidado com a qualidade do seriado. O único porém é que tanto zelo resulta em uma longa espera entre uma temporada e outra. A expectativa, porém, deve ser amenizada no início de 2016 com a estreia do especial “A noiva abominável”, que será transmitida pela BBC na Inglaterra e PBS nos Estados Unidos e em salas de “cinemas selecionadas”. Medo dessa ressalva, já que só nos resta saber quais e se vai chegar ao Brasil junto com outros países.
A série – produzida e criada por Steven Moffat (Doctor Who) e Mark Gatiss (Being Human) – já tem três temporadas, sendo que a última foi ao ar no início de 2014 e a quarta, após muitos rumores, deve estrear só em 2017! Os produtores já afirmaram em entrevistas que esses são os episódios mais difíceis e perturbadores de todos.
Já A noiva abominável deverá ser uma clássica aventura de Sherlock Holmes. O enredo se passa na Inglaterra vitoriana, com toques fantasmagóricos, bem mais próximo da narrativa original do criador do personagem – Sir Arthur Conan Doyle. Os primeiros trailers e teasers foram divulgados nas últimas duas semanas e já deixaram os fãs especulando quando o especial vai passar no Brasil.

Quem ainda não assistiu nenhuma temporada de Sherlock, corra! Pelo menos terá a vantagem de assistir de maratona, sem ter que esperar novos episódios. E antes que me perguntem: meu episódio favorito é “O escândalo em Belgravia”, do segundo ano da série. Assista e saiba o porquê.